Funk Frenético Sex Micarético

Cada dia que se passa, fica mais complicado interagir com o funk. Nada contra o canto da periferia. Jamais, afinal todos nós somos periféricos ou pelo menos muitos de nós. O que realmente é complicado de conceber é que o funk dos anos 90, época em que predominavam os temas sentimentais, cantos contra desigualdade social e dores de cotovelo, hoje evoluiu para o Funk Frenético Sex – Micarético, onde ninguém é de ninguém. Entra em vigor então a lei da Selva e cada vez mais se torna um modelo a ser alienado. É pra conscientizar: Quem não come, é comido! Afinal beijo na boca é coisa do passado...
Esse espaço será pra promover a adaptação ao seu novo perfil funkeiro é nóis.
É preciso dar uma ajustada no vestuário. Eu sei que seu estilo comportado não te proporcionou nem um tipo de ascensão de sua vida social, então sem reclamar ou fazer beicinho, ateie fogo no seu guarda-roupa que foi formado pela mamãe e pela vovó.
Pode começar escolhendo um boné. Quanto mais informações o boné carregar, melhor! O que importa é ter uma cor chamativa, algumas palavras sem nexo em inglês e está ótimo. Curve a aba do boné ao máximo e aparte-o até que seu crânio seja deformado. Futuramente sua cabeça vai ter a forma de um ‘8’, mas isso é detalhe. O Boné apertado, curvado, chamativo, com palavras sem nexo em inglês, vale o sacrifício.
Próxima etapa é procurar um bermudão e blusa da Cyclone. Não interessa se bermudão é pra calor e blusa pra frio. O clima, calor ou frio não importam! Suar ou ter frio nas canelas é um detalhe. Lembre-se que é um preço a ser pago. Não reclama e vai logo comprar essas bodegas. Comprou?! Ótimo. Agora você é um legítimo funkeiro é nóis. Faltaram alguns apetrechos como brincos de pedrinha e cordões imensos, mas isso você pega com o tempo.
Agora vem a parte mais difícil. Seu gosto pra mulher vai ter que mudar de forma drástica. Você está totalmente enganado. Flávia Alessandra não é linda. Carolina Dieckmann não é a melhor do baile. Agora sua musa é Tati Quebra Barraco. Ela é super atraente. Você tem que entender que ela é tudo que você precisa. Ela é ousada, tem um físico que pode te assustar no início, mas você se acostuma. Sem deixar de lembrar que ela é cachorra, é gatinha e não adianta se esquivar. Fugir?! Se fugir ela vai ficar boladona. E uma mulher daquele tamanho boladona não é o que nós queremos, certo?!
Agora é só curtir. Não há uma mulher funkeira que irá resistir ao seu novo eu, funkeiro é nóis. Relaxa na batida, faça uma cara de mau e entre no primeiro trenzinho que passar na sua frente. Serás feliz por toda a vida.
Se porventura não der certo, tentaremos o estilo Sertanejo Toca-o-berrante-Seu-Moço...
Boa Sorte!
Eliezer Bernardo não vai enterrar ninguém na areia...
4 Comentários:
eliezer, como eu já disse, vc ta mandando muito bem
continue assim, criativo, hilário e pensante ;)
bejos ;*
Sou cachorra, sou gatinha, não adianta se esquivar....vamos dar a meia volta e volta e meia vamos dar, o anel q tu me deste era lindo e se quebrou, o amor q tu me tinhas era pouco e se acabou......que vc acha de injetarmos o funk desde o maternal??? assim a importância a cultura nacional seria dada desde cedo, muiiito cedo...desde antes das pessoas pensarem em sexo...desde da época em q achavamos que as crianças vinham da cegonha...rs......bom, muito bom.....manual do funkeiro boladooooooooooo...rs....
AHioahOIAH é engraçado, mas é um retrato do nosso querido povo incapaz de remar contra a maré de PUTARIA (em todos os ramos da sociedade: de música a política)
Saudades do Silva, o funkeiro pai de familia..
Saudades da Estrada da Posse...
Saudades da "festa da Escola onde tudo começou.."
Saudades do Solitario e seu lamento cheio de esperança..
Sinceramente, saudade...
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