Minha Sinuca... Minha Terapia...

Semana Corrida. Cansaço no olhar. Olhar sem olhar o que se tem pra olhar. Ânimo derrotado pelo desânimo. Noite em sua plenitude com a lua crescente me espiando por entre as nuvens. Não há muito a ser feito pra salvar a noite. Amores?! Estão refugiados em suas casas. Amigos?! Sim, os melhores estão por perto. Basta que haja uma simples manifestação de esperança num desfecho de noite. Onde eu poderia encontrar um oásis a essa hora?! Sinuca! Essa é a resposta.
Sinuca. Não se trata de um salão de sinuca qualquer. Muito menos das sofisticadas casas de sinuca que os filmes de gangster exibem como cenário. Jamais. Refiro-me do salão mais trash e afável de todo o mundo. Seja qual for o momento ou ocasião em que esse salão for seu destino, lá você encontrará as mesmas pessoas, de diferentes idades, exalando hostilidade mesclada com a ânsia por diversão. Esquecer os problemas. Relembrar os problemas. Falar palavrões sem qualquer inibição. Ser sinceramente o que tiver de ser sem qualquer receio de julgamentos errados. Lugar perfeito. Mulheres lindas de mini-saias? Lenda de filmes. Lá habita uma mulher imensa que parece ser mãe dos garotos propaganda bamboochas (fanta). Ela dá medo em qualquer machão que ousa adentrar ao recinto, mas com o passar do tempo, se transforma em uma pessoa simpática que traz as melhores porções de batatinhas pros seus preferidos. Creiam ou não, mas ela já sorriu pra mim. Surreal que dá até medo.
Não existe qualquer tipo de comunicação entre os frequentadores. É algo super profissional e ético. Ninguém quer saber de onde você veio, o por que de estar ali ou algo semelhante. Não interessa. Mesmo sem qualquer comunicação ou intimidade entre todos os que ali estão, a sinuca os une. Ali ninguém está pela prática. Estão justamente pela terapia que a grande mesa os proporciona. Ali você não é ninguém em especial e ainda que continue frequentando por anos, continuará sendo anônimo. Lindo isso, não?!
O dono do salão é o Senhor Burns (The Simpsons) encarnado. Não há muito a ser comentado sobre esta figura. Ele é apenas um desenho e isso basta.
O que realmente importa é que vou lá, me divirto errando cada vez mais o caminho da caçapa e no fim, saio de lá aliviado. Feliz por ter fechado a noite com a simplicidade que aquele lugar diariamente conserva com seus personagens únicos. E quem diria?! Sou um deles.
Eliezer Bernardo está sob terapia com ênfase em Bilhar...
1 Comentários:
Nossa Sinuca.. Nossa Terapia..
Nada alem de uma fuga da realidade escura materializada em um ambiente underground, mas como o aconchego do colo de uma mãe...
Sentirei saudades, nao terei mais meu parceiro...
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