quarta-feira, outubro 25, 2006

Sabedoria Popular

A sabedoria popular vem movendo as engrenagens da reflexão e dos momentos de sapiência coletiva. Não é difícil encontrar, viver ou participar de momentos em que um indivíduo, muito esperto e sagaz, contextualizará um antigo provérbio urbano afim de vangloriar-se. A intenção verdadeira era de se promover como uma pessoa culta. Uma pepita de ouro entre simples rochas sedimentares. Não é uma péssima estratégia. Mulheres se impressionarão, crianças o idolatrarão e amigos bêbados brindarão em seu nome. A autopromoção já ganhou guerras no passado, mas em tempos de paz é sempre muito útil.
O melhor a fazer após essa vistosa introdução será uma análise de alguns provérbios urbanos.

Certo dia estava vagando nas entranhas da internet, quando encontrei um amigo no bate-papo com a seguinte mensagem de apresentação:

“Em terra de Sacis, ninguém dá voadora!”

No instante em que se lê tal coisa, a reação inicial é mostrar os dentes. Rir. Tudo bem. Isso é totalmente aceitável, afinal este provérbio é no mínimo original. Mas será que é possível tirar algum aprendizado disso tudo? Fica claro que em terra de macunaímas-de-uma-perna ninguém se atreveria a pespegar um “vôo do dragão” contra qualquer outro ser nas mesmas condições. Ainda que fosse a mais perfeita das voadoras, no fim de tudo o infeliz que aplicou o pulo-do-gato ficaria estendido no chão. Presa fácil pra outro rival ninja-manco. Moral da história: Num momento de dificuldade onde uma boa resposta ou uma ação inteligente seja ideal e necessária, saiba que o melhor é sair em socos e bordoadas! Esqueça as voadoras!!! Afinal quem utiliza desse pensamento não teria argumento pra bolar uma boa resposta ou uma ação inteligente.

Instituições de Ensino Superior podem ser grandes celeiros de provérbios urbanos. Pensa que não? Delicie-se com este exemplo.
O caos estava instalado na sala do 2° ano de Geografia. O apocalipse viria em forma de prova de Geologia. Além de ser super-difícil, a matéria cobrada foi mal trabalhada pelo professor responsável.
No dia da prova houve uma troca de professores. O professor de Geologia não compareceu. Belo momento para interação entre alunos, vulgo cola. Começaram as trocas de informações sorrateiramente sem que o professor percebesse.
Contudo um aluno desproporcional e desajeitado abriu o livro e começou a colar descaradamente sem preocupar-se com o professor, se ele o puniria ou daria sua benção. Mais que depressa o professor em fúria aborda o aluno aos berros falando pra fechar o livro. O aluno responde dizendo pro professor aliviar a barra dele deixando-o colar ao menos dessa vez. E com toda sabedoria o professor lança a seguinte pérola:

“Não vem com essa conversa de colocar só a cabecinha! Pinto não tem ombro”!

Puxa! Foi a coisa mais sábia que ouvi nos últimos tempos. Logo quando me recuperei dos espasmos involuntários dos meus pulmões que as gargalhadas me legaram, percebi que realmente é muito bem bolada essa frase. Seria a versão pornô de: “Se te dou a mão, você quer o braço”...
Na verdade é preciso estar preparado para evitar os abusos que as pessoas de um modo geral possam planejar contra você. Numa visão mais ampla, é preciso estar preparado pra reagir contra falcatruas governamentais, contra os conceitos errados que a sociedade insiste em ensinar e passar em ciclos de pais burros pra filhos estúpidos.
Não é preciso divagar tanto. É preciso apenas listar quais são os seus valores prioritários. Seria a política? Os problemas sociais? Desigualdade Social? Quem se importa!
Corra e vá alertar sua irmã, sua prima e sua filha!


Eliezer Bernardo sabe que em terra de cegos, quem tem um olho é Ciclop...

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Postado em Preto e Preta ás 10:49 AM 1 comentários

terça-feira, outubro 24, 2006

Me Solta!


Prisões ideológicas sufocaram minha voz
Com grades hereditárias e alienação como punhais,
Que sufocaram meus avós
E também feriram a alma de meus pais.

Dos outros, embriago-me em quereres e vontades
Vontades estas que me abstêm de toda e qualquer realidade,
Impulsiona o sonhar pouco, reprime a liberdade
E me remete a um viver de plena e entediante sobriedade.

Mas como posso prosseguir sem voar?
Sem sentir o prazer de poder planar?
Meus olhos abertos não me fizeram enxergar
Que o cotidiano secou minhas lágrimas antes que pudesse chorar.

Meu pensamento homem algum há de engaiolar!
Dou valor às minhas asas nessa vida dura!
Não me importa em que altura,
Quero apenas continuar a voar...


Eliezer Bernardo dont é poeteiro...

Postado em Preto e Preta ás 10:34 AM 2 comentários

sexta-feira, outubro 13, 2006

Complô Universal


Enfim! Chegou o momento que tanto esperava. Vou poder atualizar meu blog e entreter, com minhas asneiras, os meus 3 fiéis leitores. Clima ameno, céu nublado e silêncio inacreditavelmente profundo. Mãos a obra.
Mas sobre o que escreverei? O cenário é perfeito para que a inspiração me surpreenda com um abraço, mas nada me vem. Nenhuma fagulha de originalidade. Devo abordar um tema já esquecido por muitos e reavivar a chama da importância e valor que tal tema merece. Já sei! Hora de escrever...

“Plutão. Astrofísicos e intelectuais fajutos...”

(O celular começa a tocar.)

Quem poderia ser? Qual infeliz teria a crueldade de quebrar meu raro momento de produção literária?


- Oi Pai! Tudo bem sim. Eu sei que são 14h, mas é que eu acabei de acordar. É que eu tenho uma semana de folga. Vou ter que desligar. Conversamos depois. Beijos e tchau.

Tudo bem. Sempre há tempo pra atender os familiares, quiçá meu pai. Bóra voltar ao texto.

“Plutão. Astrofísicos e intelectuais fajutos não compreendem seu grande valor...”

Eis que, do nada, um elefante branco em forma de música alta me surpreende:

Cria asa piriquita!
Treme, treme atabaca!

Cricricricri asa piriquita...

Mentira! Tudo menos funk! Não acredito nisso. Devo estar em coma num quarto de hospital e tudo isso deve ser um delírio da minha mente. Talvez deva ser uma pegadinha do Faustão. Mas onde estará a câmera? Quero mandar um beijo pra minha mãe, pro meu pai e especialmente pra Pietra, minha amiga...
Eu sei que posso sobreviver a esse funk. Vou me plugar no som em headphone do Jamie Collum e relaxar um pouco enquanto escrevo.

“Plutão. Astrofísicos e intelectuais fajutos não compreendem seu grande valor. Oh,pequenino Plutão. Não quero ser cúmplice deste preconceito com planetas anões. Por isso direi em alto e bom som pra que todos ouçam...”

(Carolini está chamando sua atenção – MSN)

Droga! Me esqueci de sair do MSN. Só me faltava essa. Não consigo atualizar meu blog de jeito nenhum. O que essa mulher quer de mim?

“Livin’ la vida loca” diz:
Ebridio! Eu xou bunita?

“Malandro é o parafuso que já nasceu com cabelo partido ao meio” diz:
Como assim? Você tá bem?

“Livin’ la vida loca” diz:
Ebridioooo! Eu xou bunita?

“Malandro é o parafuso que já nasceu com cabelo partido ao meio” diz:
Beleza é um conceito muito relativo... Todos nós somos belos em algum aspecto...

“Livin’ la vida loca” diz:
Ebridioooo! Eu xou bunita?

“Malandro é o parafuso que já nasceu com cabelo partido ao meio” diz:
É sim. Tá feliz?

“Livin’ la vida loca” diz:
Ebridioooo! Eu naum xou bunita...

“Malandro é o parafuso que já nasceu com cabelo partido ao meio” diz:
Takeopariu...

(desconectando)

Minha paciência se foi no mesmo bonde que minha inspiração. Que raiva! Melhor terminar o que começou tão bem.

“Plutão. Astrofísicos e intelectuais fajutos não compreendem seu grande valor. Oh,pequenino Plutão. Não quero ser cúmplice deste preconceito com planetas anões. Por isso direi em alto e bom som pra que todos ouçam:
-Plutão! Tem vaga pra mim onde você está?”


Eliezer Bernardo precisa exercitar sua paciência.

Postado em Preto e Preta ás 1:11 AM 4 comentários

quarta-feira, outubro 11, 2006

Depois da curva...


Resolvi transformar uma idéia em algo prático. Resolvi dar de comer a essa vontade que tenho de escrever desordenadamente, apenas pelo prazer de escrever.

Muitas pessoas gastam, tomam seu tempo em reflexões que duram horas, dias, meses e anos, momentos para encontrar respostas para fórmulas, enigmas, dúvidas e mistérios.
Limito-me hoje aos mistérios.

Por esses dias pude perceber que cultivo e mantenho amizades com pessoas que moram distantes de mim. Por incrível que isso me pareça, eu os considero de tal forma que exponho minha vida como se participassem do meu cotidiano.
Porém venho perdendo algumas amizades de pessoas que moram perto ou são parentes. Isso é muito intrigante. Considero amigos como parentes e alguns parentes não são meus amigos. Reconheço que meus amigos de longe estão se achegando a mim cada vez mais, e meus parentes vêm se distanciando proporcionalmente.
Não tenho contato nenhum com minha avó materna hoje em dia. Mesmo assim, tal laço inexistente não tem me feito falta. Primos diversos que são tão distantes. São como estranhos.
Não há nada nesse sentido que eu possa fazer para mudar esse quadro. Não há culpa. Cada um segue seu caminho.
Amizade é algo que eu prezo demais, mas tenho forte tendência a deixá-las escapar por entre meus dedos. Por que será que laços de amizade tendem a fugir da razão que nos leva a acreditar que seriam mais fortes associados aos laços de sangue?! Isso é realmente um Mistério.
Afeto. Relação Homem e Mulher é tão complicada! O Jardim do vizinho me parece ser tão mais verde(...) Me envolvo com pessoas que não deveria ou nem gostaria de me envolver, e deixo de me envolver com quem gostaria mesmo de me envolver. Mas o fato é que em ambas as situações, não consigo manter nada sólido o suficiente pra me fazer bem. Sempre acabo em situações complicadas de serem resolvidas e que acabam ferindo ambos os lados. Não gostaria que isso acontecesse. Ora penso que estou apaixonado por alguém, ora tenho certeza que não. Difícil de compreender. Gostaria de poder simplificar as coisas, mas não posso. Acontece de Terceiros se antipatizarem por mim e enfraquecerem meus relacionamentos, de me envolver mais do que deveria, de me envolver menos do que deveria(isso vem acontecendo com mais freqüência.), seja o que for, não tenho sido favorecido pelos fatores influenciadores de qualquer relação. Por que?! Mistério.

No geral, percebo que tenho Mistérios que movem minha vida de tal forma que posso ter certeza de que nada acontece por acaso. Se foge à minha razão é porque existe um propósito maior. Será que existe pelo menos uma coisa que posso tirar de bom nesta confusão que eu chamo de vida?! Sim. Pelo menos ela não é monótona.


Poucos entenderão (quase ninguém), mas ainda assim fico feliz por confundir alguém com relatos da minha vida.

E tenho dito.

Eliezer Bernardo está de passagem, mas nunca a passeio.

Postado em Preto e Preta ás 11:10 AM 2 comentários