segunda-feira, agosto 13, 2007

Capitalismo Sentimental


O Capitalismo exacerbado é algo que empola meu humor da cabeça aos pés. Uma vida de interesses individuais espera meu filho com suas garras afiadas. Que situação. Como se não fosse ruim pensar e analisar no estado em que minha vida está, chego ao ponto de sofrer por instinto paternal precocemente aflorado.
Ô, Cridê! Fala pra mãe!

O ponto caótico que nossa sociedade vive pode ser exemplificado pela comercialização de relacionamentos. Nós, solteiros, somos investidores desesperados buscando um negócio da China pra chamar de seu. Seu poder de comercialização depende de vários elementos que determinam se você é um verdadeiro imperialista ou um reles pipoqueiro de esquina.

Escambo. Quando seu poder de aquisição é baixo e seu capital de giro é insuficiente, vale a lei do escambo. Vamos trocar. Você não tem cacife algum pra abandonar sua namorada e aguardar propostas do Pregão. Neste caso em específico o melhor a ser feito é encontrar outro investidor insatisfeito e trocar os investimentos. Ninguém perde e provavelmente ninguém ganhará. Casos de trocas de namoradas terminam de forma trágica, mas o que vale é experiência no mercado investidor.

Inflação. Tenha cuidado com este elemento, campeão. Ao ler a definição do profile daquela menina que diz: “Loira e Ferrari só tem quem pode”. Pense bem. Isto é um exemplo típico de inflação. É uma presunção excessiva sobre uma mercadoria que já não é lá essas coisas. Em épocas de alta inflação, o melhor a fazer é segurar suas intenções e esperar por dias melhores, afinal, o mundo dá voltas.

Risco País. Uma importante ferramenta pra especular valores hipotéticos em investimentos. O método é simples. Você realiza um comparativo entre duas ou mais mulheres de localidades e personalidades distintas. A comparação pode delinear os riscos e facilitar a decisão do investidor. A análise da futura sogra é fundamental com esta ferramenta.

Com sorte e pitadas homeopáticas de malemolência , você poderá se tornar mais vigoroso perante os grandes concorrentes. Sua fama como um investidor estável e de responsabilidade, o que despertando uma segurança, pode talvez fazer com que as taxas de juros caiam.
Os dados já foram lançados e o mercado é feroz. Não tenha medo, amigo. Se as coisas ficarem difíceis, decrete falência e suma por uns tempos. O tempo apagará seu passado de infortúnios.


Eliezer Bernardo, ao contrário deste texto, é socialista, porém não vai dividir sua futura esposa de forma justa e igualitária com ninguém.
Clique aqui e deixe seu Comentário!!!

Postado em Preto e Preta ás 12:59 PM 3 comentários

quinta-feira, julho 05, 2007

Frio gostoso...


Cientificamente estamos presenciando o fenômeno climático chamado solstício de inverno do hemisfério sul, ou seja, o frio chegou.
Nas últimas semanas pude ver o contentamento de tantas pessoas com frio que nos assola, e inclusive justificam que o frio é excelente pra namorar, sair com os amigos e que favorece a união dos seres. Achei lindo tudo isso, mas minha raiz africana não pode continuar calada. Preciso mostrar todas as piores facetas que o frio pode revelar no ser humano.

Não sei dizer se vou conseguir sobreviver ao inverno deste ano. Os dias frios deste ano já me trouxeram a incerteza de acordar amanhã. É terrível.

Você, como grande parte dos mortais, ainda não conseguiu o benefício de ter seu fusquinha, um quatro rodas pra chamar de seu e, pra usufruir do direito de ir e vir, precisa utilizar o transporte coletivo, vulgo busão. Nestes dias de janelas fechadas e pessoas com problemas respiratórios, pagar a passagem de ônibus é também levar de presente, graças à velhinha que tanto tosse ao seu lado, uma tuberculose ou quem sabe uma pneumonia. Bonito, não? Não adianta tapar o nariz e a boca com um lenço – como Michael Jackson tanto fez mundo à fora –, sem dúvida alguma, o melhor a ser feito é aceitar sua realidade de doente respiratório e respirar fundo. Já que está no inferno, dê um abraço no gabiroto.

Olha que legal. Você saiu a poucas horas de casa e já está doente. Vamos analisar os reflexos que isso causará na sua vida social.

Seu nariz começa a escorrer de forma absurda. Nem você acredita que tenha tanta água dentro de você assim. Por mais que você tente contê-lo, o muco, meleca ou comidinha-de-dedo, irá continuar a escorrer e finalmente, você já esquece de todo charme e começa a limpar com mão enquanto fala com os amigos ou com aquela linda menina que a tempos você tenta galantear, popularmente conhecido como joão-sem-braço. É tão nojento que a pessoa que te assiste neste trágico momento, tem ânsia de vômito e uma intensa vontade de chorar. Envergonhado, você pede licença e vai ao banheiro tentar extrai cirurgicamente seu nariz que parece muito mais um chafariz. Viu como sou engraçado?

Já com os olhos inchados e nariz escorrendo, você tenta sobreviver a um dia de trabalho com esta terrível doença que te aflige até a alma. Mas ao pensar que tudo poderia melhorar ou ser contido com a possibilidade de ir pra casa, você lembra que a faculdade te espera. Apesar de considerar tentador cometer suicídio e dar fim a tanto sofrimento, você se enche de coragem e vai encarar está fria noite que te espera na faculdade. Chegando lá, acidentalmente você afunda seu pé direito numa poça d’água bem sacana que seus olhos não puderam ver. Eba! Agora um de seus pés sofrerá de hipotermia que levará à gangrena e fatalmente à uma futura amputação, abrindo assim as portas do teatro e festas infantis pra ti nos papéis de pirata da perna-de-pau e de Rei Roberto Carlos – são tantas emoções. Eu ainda continuo engraçadíssimo. Por que Zorra Total não me contrata?

Chegando em casa, com todo arsenal médico em mãos, você começa ingerir aspirinas e chás ferventes buscando uma melhora imediata ou alívio instantâneo. Nada adianta. Nada. Nem mesmo as poções mirabolantes de sua avó. O que fazer agora?

Quando a alma desiste, o corpo se entrega. Vá para cama e sonhe com dias ensolarados e mulheres de biquíni.


Eliezer Bernardo diz: -Brrrrrrrr...

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sexta-feira, janeiro 19, 2007

Homens! Uni-vos!

Os fatos estão escancarados na cara de qualquer filho de Deus. Será que não percebem?! Transformações estão ocorrendo em alta velocidade e nós homens, não temos noção do que isso representa. A Revolução está à porta e nada foi feito até agora.. É preciso que haja uma reação por parte de nós homens. Na verdade, você leitor, não faz idéia do que tanto alerto com exultação. Portanto, tenha bastante atenção às próximas linhas que virão.
As mulheres. Elas são os mentores da Revolução que já engatinha. Pode parecer besteira, mas hei de explicar com mais detalhes o que essas astutas mulheres que amamos vêm realizando sem que percebamos.

Tudo começou a tempos atrás, quando a primeira mulher, não satisfeita com o fardo de carregar Adão como marido, resolveu dar idéia pra uma simples serpente da espécie demoníaca, cientificamente cramulhanus serpentius dus infernius, que além de comer da maçã proibida, deu ao indefeso e inocente Adão. A conseqüência disso tudo nem preciso dizer. Com o passar do tempo, outras vieram. Cleópatra era muito a frente de seu tempo. Já nos tempos de Alexandria, aquela danada já era sexualmente liberta e certa feita até enrolada foi em um tapete que seria presenteado à Júlio César. Perspicaz ela, não?! Afinal Júlio César tinha conceito e grandes chances de tomar o poder de Alexandria.
Nos tempos de hoje, as mulheres tem conquistado com bravura seu espaço no mercado de trabalho. Isso é um grande feito e nós homens, temos motivos pra desespero e pânico, pois se fizermos um levantamento cronológico das conquistas femininas e compararmos com as masculinas, perceberemos que as mulheres são seres evoluídos e conquistadores. Vikings de saias. Não há como contestar o progresso esmagador que as mulheres realizaram num prazo curto de tempo. Nós homens gravamos nossos nomes na história com conquistas e descobertas que nos proporcionaram desenvolvimento, conforto e sede por expansão. Ledo engano nós homens acharmos que as mulheres foram, são e serão eternamente conhecidas por serem braços direito do homem, os troféus que um homem bem sucedido há de carregar. Elas já estão no poder. São elas Ministras, Governadoras, Princesas, Rainhas, Embaixadoras e tantos outros cargos públicos que me tomariam tempos e tempos para serem listados.

Apaixonadamente reconheço que não há como fugir ou evitar o encanto feminino. Elas já são encantadoras por natureza. Poético isso, não?! O que desfavorece qualquer competitividade. Elas são mais atenciosas, mais cuidadosas, organizadas, espertas e conseguem apagar os rastros que levariam à descoberta do que realmente elas pensam sobre a vida.
Cada espaço conquistado hoje por uma mulher, jamais será reconquistado por nós homens. Seriamos esmagados em nossas insignificâncias pela superioridade feminina. Nos confundem em suas confusões pra evitar que as reais intenções de suas confusões sejam reveladas. Complicado, não?! Lembre-se! Estou falando de mulheres...

Conheço mulheres que matariam se soubessem de crianças sendo presenteadas com vassourinhas ou mini-fogões. Elas já perceberam e destrincharam todo nosso plano machista e agora estão prontas a repelir quaisquer tentativas de domesticação. É a revolução, meu caro...

Mas houve um tempo em que todos nós, homens e mulheres, éramos praticantes de um mesmo ideal, de um mesmo gesto. O bundalelê. Tempo bom que nunca mais voltará. Não satisfeitas com as conquistas revolucionárias no campo sócio-político, elas resolvem invadir o campo volúpio-gesticulo-irônico. Elas agora evoluíram do tradicional bundalelê pro audaz vaginalelê. Não se sabe qual ou quando foi a origem, mas é fato que essa inovação foi difundida entre os povos.
Britney Spears, Juliana Paes, Victoria Beckham, Angélica e Luana Piovani já o fizeram e deram total liberdade em direitos pra que todas as demais possam fazer o mesmo. Todas. Inclusive sua irmã, a gorda de sua vizinha, sua avó, sua professora do primário, sua mãe... A minha mãe não! Será?!

Imagine que complicado seria se no futuro, este gesto fosse considerado um sinal de superioridade feminina e ao cumprimentar alguma mulher tentando uma aproximação com galanteios ridículos que só nós, homens o fazemos com destreza, ela repudiasse e esnobasse nossas palavras, irradiando um vaginalelê com o único propósito de ridicularizá-lo perante os coleguinhas. Seria o caos. Não estaríamos seguros em lugar algum. Seríamos apenas máquinas de sêmen criadas em cativeiro que assegurariam a perpetuação das mulheres.

Puxa! Como somos subdesenvolvidos, homens! As mulheres estão vaginaleleando por todos os cantos mostrando que nosso bundalelê é ultrapassado e não passa de um brincadeira antiga. São as novas Vikings! Elas estão em constante expansão e se já reconhecemos a derrota no campo sócio-político, não podemos perder também o trono do império volúpio-gesticulo-irônico que administramos a séculos com primor.
Proponho uma reação em proporções apocalípticas. Proponho a disseminação do Pirulelê. Piruleleando por todos os cantos da terra, talvez, alcancemos o êxito e a tranqüilidade que só a vitória proporcionará. Abafaremos toda e qualquer exaltação ao vaginalelê e assim o banalizaremos.

Homens! Uni-vos! Ouçam meu clamor desesperado! Precisamos reagir. Convoco-os! É preciso pirulelear por toda a terra!. Em seu trabalho, homens de boa fé, exibam com honra um pirulelê! Quando jogar futebol e um gol marcar, pirulelê pra galera em comemoração! Se na cerimônia de casamento, antes de dizer o famoso sim, mande um pirulelê pra dar sorte!

Homens! Uni-vos! A Revolução está próxima.


Eliezer Bernardo aguarda a melhor oportunidade de emitir um pirulelê advanced em rede nacional...

Postado em Preto e Preta ás 5:30 PM 7 comentários

sábado, janeiro 13, 2007

Tarantinear o que há de bom...


Vida chata. Vida comum. Vida tediosa. São tantas formas diferentes pra descrever e caracterizar seu modo de levar a vida. Em casos normais, solução seria colocar as cartas na mesa. Seria procurar o real sentido de suas atitudes e logo buscar uma forma de conduzir seus passos em direção ao real prazer de viver. Mas desculpe! Não é o seu caso... Seu caso é mais grave. A mesmice está te engolindo como a terra de São Paulo engoliu caminhões. Trágico, não?! Então levanta e sacode a poeira! Chegou sua hora de Tarantinear sua vida.

De alguns padrões regidos e estimulados pela sociedade conservadora, você terá que abrir mão. Terá que rompê-los sem nenhum peso na consciência. Não me pergunte quais ainda! Não venha a sofrer ansiedade. Logo te direi...

Você tem direito de se vestir como quiser. Esse é um dos privilégios de tarantinear seu dia-a-dia. Calças de couro, cabelos desarrumados e barba sem fazer são excelentes pedidas. Andar pelado por aí também vale. Tudo vale. Tudo mesmo. Se você tem um velório pra ir, vá pelado! Se você tem uma reunião de negócios, vá com calça de couro! Você tem um aniversário de criança pra ir, ah... Nem vá!
Outro detalhe, campeão! Você precisa mudar essa postura, essa forma pueril de andar. Ninguém consegue se fazer de mau andando com esse andar de papa-hóstia. É preciso que você faça de cada passo, uma ameaça. Se não vai fluir espontaneamente, então será preciso utilizar um acessório em especial. Cueca apertada. Vai doer um pouco, mas o aperto causado em sua situação promoverá um andar mais aberto e audacioso.

É necessário que você mude um pouco seu vocabulário. O fato de ser cortês com as pessoas fugiria totalmente do Tarantino Way of life. Você tem que adicionar palavrões em seu vocabulário. Muitos palavrões. Regue todas as frases, elogios, poemas e comentário com os palavrões mais sujos que você encontrar. Que tal tentar em um poema?! Canção do exílio de Gonçalves Dias pode ser um bom treinamento.


Minha tem palmeiras,
Onde canta a porra do Sabiá
As aves que aqui nessa porra gorjeiam,
Não gorjeiam como lá na casa do caralho!!!

Viu?! É muito fácil...

Você já tem suas calças de couro, andar decidido e palavrões na ponta da língua. Não podemos esquecer da grande quantidade cigarros fumados por dia e das drogas como cocaína e crack. Puxa! Esse quesito precisará de um condicionamento físico mais arrojado, de um abandono total de sua sobriedade e amor próprio. É certo que tarantineando sua vida, por razões óbvias, você morrerá cedo. É complicado ser decidido, audaz, drogado, fumante de vários maços de cigarro por dia, um filho-da-puta-desgraçado-caturritador-de-palavrões, e viver mais do que seis anos.

Achou muito pesado esse fardo?! Bóra então alugar Pulp Fiction e assistir na companhia de sua namorada no conforto de seu lar, saboreando assim uma boa pipoquinha com guaraná...


Eliezer Bernardo adverte: O ato de Tarantinear não é pra qualquer um...

Postado em Preto e Preta ás 4:24 PM 5 comentários

terça-feira, janeiro 09, 2007

Muito Obrigado



E não é que já estamos em 2007?! Puxa! Como o tempo voa hoje em dia. Sei que nem tive tempo de dedicar meus agradecimentos aos que estiveram comigo em 2006, mas a verdade é que nunca me peguei fazendo isso em larga escala. Agradecer a uma ou outra pessoa pelos momentos vividos em certa época ou período de nossas vidas, fortalece sim nosso caráter e os conceitos de amizade e humildade. Isso é super importante nos dias de hoje. Contudo, reconheço que minhas intenções atuais fogem de qualquer choque direto com a humildade ou com valor de cada amizade. Não é através do meu humor e deboche peculiar que irei denegrir o brio de uma amizade. Juro que não. Na verdade acho que os agradecimentos são dispensáveis de certa forma. Os agradecimentos nostálgicos estão começando a se tornar cafona de certa forma, afinal todos vêm distribuindo de boas mensagens, apertando as mãozinhas dos coleguinhas e felinovando-os por mais um ano. Puxa! Será que ninguém vai agradecer aos momentos de fracassos trágicos, agressões gratuitas ou semigratuitas das pessoas? Ninguém terá nobreza de agradecer os momentos de confusões e loucuras sobrevividos? Esses momentos também trazem aprendizado. Então, fugindo um pouco da monotonia e das mensagens clichês pós-natalinas, vou tecer meus agradecimentos aos tropeços e loucuras de um ano que se passou.

Primeiramente eu gostaria de agradecer ao cara mais forte que já vi na minha vida que, por acaso, era ou se hoje conformado, ainda é namorado de uma mulher que dei meus beijos certa noite no bar em frente à faculdade. Agradeço as ameaças de morte feitas pelo robusto rapaz. Foram de grande impacto! Não houve um momento sequer em que não temi pela minha vida.
Confesso que em luz baixa, é complicado saber quem tem e quem não tem namorado e afinal de contas, no dia dos tais beijos, a Dona Flor estava sozinha e toda soltinha pro meu lado. Não tive culpa. Portanto, agradeço ao Mister Músculos por ter me dado a oportunidade de improvisar dizendo que jamais havia visto tal mulher em minha vida e que se o boato existe e, como bom amigo que sou, pude aconselhá-lo que seria bom ficar em alerta. Agradeço ao Durateston Boy pela oportunidade que tive de ludibriá-lo com minha conversa, ter beijado a mulher dele e de brinde, ter atingido níveis absurdos de adrenalina mediante ao risco de vida enfrentado. Aprendi que não devo mais beijar mulher de lutadores marombados e se porventura beijar, preciso exercitar cada vez mais meu poder de convencimento e raciocínio rápido.

Quero ter a hombridade de agradecer rapidamente às figuras ilustres que com tamanha insanidade, se tornaram inesquecíveis e dignas de receberem tal agradecimento. Agradeço à motorista do ônibus Santa Rita de Cássia que esbravejou dizendo que eu havia feito sinal pro ônibus como se acena aos cães leprosos de rua, ao mendigo que com toda a honestidade do mundo veio me pedir dinheiro pra comprar um vinho e ao amigo Fabrício Sagat Lobei que através de suas loucuras(clique aqui e tenha noção), exercitou meu prazer em descrições e narrações cômicas.

Não poderia deixar de agradecer aos pedidos de namoro e casamento que não recebi este ano. Se algumas pessoas não me quiseram como namorado, talvez seja porque ainda tenho que estagiar no cargo de Ricardão por mais alguns tempos ou na vida leviana de cada dia. Se pessoas não me pediram em noivado, talvez seja porque ninguém fica noivo hoje em dia! Se ninguém me pediu em casamento, talvez seja porque ainda há um pouco de juízo na cabeça das pessoas.

Gostaria de agradecer às pessoas que apesar de terem sido convidadas para ler meu blog, acompanhar alguns textos ou apenas olhar a foto tema deste blog, fizeram questão de ignorar, menosprezar e até mesmo desprezar o fato de tê-lo. Graças aos coleguinhas que assim fizeram, pude valorizar cada vez mais aos meus cinco fiéis leitores.São os cinco fiéis que me fizeram e fazem reunir forças no dia-a-dia pra parir tragédias cômicas em forma de texto.

Gostaria de agradecer aos que esperavam agradecimentos meus, mas não o tiveram. Agradeço a compreensão. Seja mais louco a cada dia desse ano e quem sabe no fim do mesmo, serás ternamente lembrado por mim em um texto semelhante...

Eliezer Bernardo agradece sua atenção, Caro Leitor!

Postado em Preto e Preta ás 12:34 AM 4 comentários

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Amigo Oculto é o Cacete!!!


É tão bom presentear os amigos. Você tem oportunidade de gastar algumas horas pensando o que combinaria com a personalidade da pessoa amiga. Talvez um cordão ou quem sabe um CD da Marisa Monte. Difícil escolha, mas sempre prazerosa. Momentos especiais em que temos oportunidade de demonstrar nosso afeto também através de algo material. Lindo isso, não?!

O complicado é quando começam a agitar a idéia de Amigo Oculto. O caos está sendo gerado nessa decisão. É sempre tão estranho. Você está sendo induzido a se comprometer em presentear alguém que até o momento do sorteio, você não tem a mínima idéia de quem é o bastardo que vai lhe dar o trabalho de correr as pressas atrás de um presentinho que, na maioria dos casos, não agradará o presenteado.

Mas o que realmente importa?! É o clima natalino fundido com o clima de Dezembro (vide um dos textos anteriores) que vai te surpreender como nos outros anos. Verdade é que devemos nos lembrar da importância que estarmos em união com amigos, conhecidos e desconhecido comemorando o valor que a boa vontade entre os homens em plena paz, certo? Errado! Esqueceu que falei do caos no parágrafo acima? Não se esqueça mais.

Enfim. O momento chegou. O saquinho com os nomes em papéis dobrados estão ali, logo ali, esperando que você retire o nome do seu coleguinha oculto. No caminho de seu lugar até o saquinho, você amamenta uma esperança de que irá tirar aquela pessoa amiga, sim, aquela pessoa que você tanto ama. A mesma pessoa que você dedicou altas gargalhadas. Posso ver o sorriso sendo desenhado em seu rosto. Ao retirar o papel com toda a confiança, você lê: João Carlos. Quem raios é esse? E os Jardins Suspensos de sua Babilônia foram ao chão! Você nem tem idéia de quem é João Carlos e o pior, você tem que fazer cara de satisfeito pelo sorteio. Então, segundos depois, você exibe aquele belo sorriso amarelo-ouro pra platéia ansiosa que tenta traduzir suas expressões pra quem sabe, quebrar o encanto da surpresa. Mais que depressa, você caça seu rumo pra que ninguém veja sua cara de dúvida, desânimo, decepção e desespero por ter tirado o amiguinho João Carlos. Agora é correr atrás do prejuízo.

Primeiro passo é descobrir quem é João Carlos. Acredito que o melhor a ser feito é perguntar pra alguém discreto e sigiloso. Perguntar com aquela cara de quem não quer nada, com uma ginga malandra e despojada, com aquele ar de dono da situação.
Mas como você é burro! Foi escolher a mulher mais fofoqueira da repartição pra sanar suas dúvidas. E como não bastasse, teve a ingenuidade de dizer:

- Sandrinha, é um segredinho nosso!

Deplorável.

Agora você descobriu que o misterioso João Carlos é nada mais, nada menos que aquele gordinho que todos ignoram a existência. Se todos o ignoram, então ficou mais difícil ainda descobrir o que Juanito gostaria de ganhar. Melhor então ir na sorte. Vá ao shopping e compre o que achar que Juanito possa gostar.

Parecia ser fácil essa etapa, mas era tudo uma ilusão. Comprar um presente pra alguém que você nem sabia que você nem sabia que existia, é super complexo. Talvez dar uma cueca pro rapaz, possa ser simples e rápido. Mas talvez, se ele for um pederasta, você pode estar nutrindo fantasias nefastas entre ele, a cueca presenteada e você. Melhor pensar em algo menos perigoso. Melhor dar uma camiseta ou algumas caixas de Diet Shake. Camiseta ofende menos, mas os shake’s seriam mais úteis.

Hora da festinha. Salgadinhos gordurosos aos montes, refrigerecos quentes de queimar a boca e mulheres estranhas querendo fechar o ano com você de prato principal. Ambiente hostil.

Que beleza! Você foi presenteado com uma caneta pelo seu chefe unha de fome e agora é sua vez. Sua vez de levantar, ir pro centro do salão e inventar alguma piadinha ou trocadilho pra dar recheio ao personagem ridículo que você fará. E lá vai você:

- Bem... Estou feliz por estar aqui junto com vocês...
- Tirou a Maria!!! (Grita um esquizofrênico que também sofre de ansiedade.)
- Não, eu não tirei a Maria... Mas como eu estava dizendo, acredito que seja uma oportunidade única de relembrarmos a importância dessa união...
-Fala logo! Eu sei que você tirou a Maria!!! (sim, ele novamente...)
- Precoce você, campeão! Nem espera eu falar... Na verdade eu tirei alguém muito especial, bonito e engraçado. Tirei eu mesmo! Brincadeirinha galera...

(Nesse momento o silêncio se estabelece quase que instantaneamente. Ninguém nem pisca. Dava pra ouvir barulhos de grilos a quilômetros de distância. Talvez nesse momento o melhor a ser feito seja cuspir no chão e convidar alguém pra lhe acompanhar no nado sincronizado... Eu sei! Isso também foi sem graça...)

- Antes que me tirem daqui à base de pauladas eu me rendo! Tirei o João Carlos!!!
-Eu?!
- Você mesmo! Vai logo pra lá, Chupetinha de baleia!!! (Olha ele aqui de novo.)
-Vem pra cá João! Tirei você e espero que goste!
-Puxa! Obrigado pela camisa. Na verdade eu uso GG, mas essa camisa P ficará muito bonita no meu guarda-roupa. Obrigado mesmo assim.
- Hahahahahahahahaha...(Preciso dizer quem gargalhou em alto volume?!)

Desfecho trágico. Caos instalado. Mais uma noite estranha revelada do seu, do meu, do nosso dia-a-dia.


Segundo a lenda, a discórdia entre Judeus e Palestinos, Flamenguistas e Vascaínos, Brasileiros e Argentinos, começaram com um inofensivo Amigo Oculto.

Quando é que esse sofrimento vai acabar?!


Eliezer Bernardo já tirou seu papelzinho desse ano...

Postado em Preto e Preta ás 4:25 PM 9 comentários

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Um Brinde!


Um brinde à renovação e ao passado gostoso...
Um brinde ao novo ano… aos novos horizontes e ares…
Um brinde à criação e à nossa sina... escrever, nosso prazer...
Um brinde ao ventre da imaginação, onde as borboletas nascem...

Um brinde à vontade de pular dos abismos, e de abrir as asas
Um brinde ao grito de vitória e ao tropeço do caminho
Um brinde às estradas reluzentes, e às trilhas tortuosas...
Um brinde aos mundos cores de rosa e aos sábios de coração...

Um brinde à Dorothy e seus sapatinhos de rubi
Um brinde à graciosidade em faz de conta
Um brinde aos novos Ícaros pela ousadia
Um brinde de brinde à nossa imaginação

Um brinde ao céu, mar, flores e cachoeira,
Um brinde aos que nadam no céu e florescem nas águas,
Um brinde ao sorriso, ao olhar, ao abraço e toque
Um brinde aos beijos, um brinde aos desejos

Um brinde à chuva, sol, vento e tempestade
Um brinde às intempéries que nos tornam vivos de verdade
Um brinde à fé, à prece, ao amor e ao coração
Um brinde ao colorido, à natureza, à simplicidade e ao inexplicável

Um brinde às taças amigas e aos momentos brindados
Um brinde à amizade, à coragem, às realizações e aos sonhos
Um brinde à vida, ao presente, à dádiva e ao acaso
Um brinde à mim! Um brinde à você! Um brinde aos brindes!

Um brinde à nós imperfeitos e inconformados...
Um brinde...


Eliezer Bernardo - poeta das coisas simples, seguidor de Mário Quintana e uma pessoa que gosta de sorvete de flocos e tem uma grande vontade experimentar, e brindar cada experiência...

Vivian Pietra, apenas uma pessoa que gosta de brindar a vida e toda sua complexidade...

Postado em Preto e Preta ás 4:24 PM 3 comentários

Funk Frenético Sex Micarético


Cada dia que se passa, fica mais complicado interagir com o funk. Nada contra o canto da periferia. Jamais, afinal todos nós somos periféricos ou pelo menos muitos de nós. O que realmente é complicado de conceber é que o funk dos anos 90, época em que predominavam os temas sentimentais, cantos contra desigualdade social e dores de cotovelo, hoje evoluiu para o Funk Frenético Sex – Micarético, onde ninguém é de ninguém. Entra em vigor então a lei da Selva e cada vez mais se torna um modelo a ser alienado. É pra conscientizar: Quem não come, é comido! Afinal beijo na boca é coisa do passado...
Esse espaço será pra promover a adaptação ao seu novo perfil funkeiro é nóis.

É preciso dar uma ajustada no vestuário. Eu sei que seu estilo comportado não te proporcionou nem um tipo de ascensão de sua vida social, então sem reclamar ou fazer beicinho, ateie fogo no seu guarda-roupa que foi formado pela mamãe e pela vovó.

Pode começar escolhendo um boné. Quanto mais informações o boné carregar, melhor! O que importa é ter uma cor chamativa, algumas palavras sem nexo em inglês e está ótimo. Curve a aba do boné ao máximo e aparte-o até que seu crânio seja deformado. Futuramente sua cabeça vai ter a forma de um ‘8’, mas isso é detalhe. O Boné apertado, curvado, chamativo, com palavras sem nexo em inglês, vale o sacrifício.

Próxima etapa é procurar um bermudão e blusa da Cyclone. Não interessa se bermudão é pra calor e blusa pra frio. O clima, calor ou frio não importam! Suar ou ter frio nas canelas é um detalhe. Lembre-se que é um preço a ser pago. Não reclama e vai logo comprar essas bodegas. Comprou?! Ótimo. Agora você é um legítimo funkeiro é nóis. Faltaram alguns apetrechos como brincos de pedrinha e cordões imensos, mas isso você pega com o tempo.

Agora vem a parte mais difícil. Seu gosto pra mulher vai ter que mudar de forma drástica. Você está totalmente enganado. Flávia Alessandra não é linda. Carolina Dieckmann não é a melhor do baile. Agora sua musa é Tati Quebra Barraco. Ela é super atraente. Você tem que entender que ela é tudo que você precisa. Ela é ousada, tem um físico que pode te assustar no início, mas você se acostuma. Sem deixar de lembrar que ela é cachorra, é gatinha e não adianta se esquivar. Fugir?! Se fugir ela vai ficar boladona. E uma mulher daquele tamanho boladona não é o que nós queremos, certo?!

Agora é só curtir. Não há uma mulher funkeira que irá resistir ao seu novo eu, funkeiro é nóis. Relaxa na batida, faça uma cara de mau e entre no primeiro trenzinho que passar na sua frente. Serás feliz por toda a vida.

Se porventura não der certo, tentaremos o estilo Sertanejo Toca-o-berrante-Seu-Moço...

Boa Sorte!


Eliezer Bernardo não vai enterrar ninguém na areia...

Postado em Preto e Preta ás 2:46 PM 4 comentários

Minha Sinuca... Minha Terapia...



Semana Corrida. Cansaço no olhar. Olhar sem olhar o que se tem pra olhar. Ânimo derrotado pelo desânimo. Noite em sua plenitude com a lua crescente me espiando por entre as nuvens. Não há muito a ser feito pra salvar a noite. Amores?! Estão refugiados em suas casas. Amigos?! Sim, os melhores estão por perto. Basta que haja uma simples manifestação de esperança num desfecho de noite. Onde eu poderia encontrar um oásis a essa hora?! Sinuca! Essa é a resposta.

Sinuca. Não se trata de um salão de sinuca qualquer. Muito menos das sofisticadas casas de sinuca que os filmes de gangster exibem como cenário. Jamais. Refiro-me do salão mais trash e afável de todo o mundo. Seja qual for o momento ou ocasião em que esse salão for seu destino, lá você encontrará as mesmas pessoas, de diferentes idades, exalando hostilidade mesclada com a ânsia por diversão. Esquecer os problemas. Relembrar os problemas. Falar palavrões sem qualquer inibição. Ser sinceramente o que tiver de ser sem qualquer receio de julgamentos errados. Lugar perfeito. Mulheres lindas de mini-saias? Lenda de filmes. Lá habita uma mulher imensa que parece ser mãe dos garotos propaganda bamboochas (fanta). Ela dá medo em qualquer machão que ousa adentrar ao recinto, mas com o passar do tempo, se transforma em uma pessoa simpática que traz as melhores porções de batatinhas pros seus preferidos. Creiam ou não, mas ela já sorriu pra mim. Surreal que dá até medo.

Não existe qualquer tipo de comunicação entre os frequentadores. É algo super profissional e ético. Ninguém quer saber de onde você veio, o por que de estar ali ou algo semelhante. Não interessa. Mesmo sem qualquer comunicação ou intimidade entre todos os que ali estão, a sinuca os une. Ali ninguém está pela prática. Estão justamente pela terapia que a grande mesa os proporciona. Ali você não é ninguém em especial e ainda que continue frequentando por anos, continuará sendo anônimo. Lindo isso, não?!

O dono do salão é o Senhor Burns (The Simpsons) encarnado. Não há muito a ser comentado sobre esta figura. Ele é apenas um desenho e isso basta.

O que realmente importa é que vou lá, me divirto errando cada vez mais o caminho da caçapa e no fim, saio de lá aliviado. Feliz por ter fechado a noite com a simplicidade que aquele lugar diariamente conserva com seus personagens únicos. E quem diria?! Sou um deles.


Eliezer Bernardo está sob terapia com ênfase em Bilhar...

Postado em Preto e Preta ás 1:50 AM 1 comentários

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Dezembro


Enfim Dezembro chegou! Dezembro sempre foi um mês surpreendente. Sempre tive a impressão que uma certa magia é transmitida aos poucos até que em velocidade epidêmica, Pandora abra sua caixinha pra cada um de nós. Contaminados por essa magia, os amores, as alegrias e os momentos serão vividos de uma forma mais adocicada. O que será que Dezembro reservou pra você? O que será que Dezembro reservou para mim?!

Gosto dos amores. Amores de Dezembro são os melhores e os que mais me marcaram até hoje. Gosto do envolvimento despretensioso que sempre flui em certo momento desse mês. Reconheço que os que ocorrem no final de Dezembro são os mais lindos. Não tive muitos amores de Dezembro e sei que poderia ter amado mais, ter vivido mais cada Dezembro, mas focalizei muitos Dezembros com amigos e deixei de lado qualquer possibilidade de amar. Não foram Dezembros perdidos, mas sim Dezembros fraternais como a muito tempo não tenho. Saudades.

Amor de Dezembro que tenho uma certa saudade é o de 2005. Houveram momentos legais vividos antes do bom e velho Dezembro, mas todo encanto eclodiu em Dezembro. Foi tudo muito bonito e perfeito nesse mês iluminado e apesar de, infelizmente, ter sido apenas uma temporada, não me lembro de ter sido amado como naquele mês.

Mas Dezembro de 2006 chegou mais surpreendente do que jamais pensei. Novembro veio com todo o encanto. Sucos de melancia, Show da Ana Carolina e desenhos de canoa me fizeram feliz por este mês. E mais surpreendente do que começou, novembro terminou semitrágico onde pude concluir que perdi o convívio com uma pessoa especial. Tudo isso, a aurora e o crepúsculo aconteceram em um mês. Se novembro foi assim, nem sei se tenho saúde pra agüentar esse Dezembro.

Então só me resta esticar o sorriso, desajeitar meu já desajeitado cabelo revolto e abrir os braços pra temporada em que tudo pode acontecer. Não acredita?! Olhe a sua volta! Já está acontecendo...


Eliezer Bernardo prefere ser chamado de Bernardo neste mês...

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domingo, novembro 12, 2006

Enfim...


Estou de mudança! Mudança de ares. Diria que estou expansão. É um momento muito delicado e marcante na minha vida. Apesar de fazer o papel principal nessa trama, conto com ótimos coadjuvantes. Pessoas que fizeram, fazem e se Deus quiser, farão parte de tudo que sou e do que posso vir a ser. Quero usar da liberdade que tenho de sentir saudades antecipadas. Tempos como esses sei que jamais voltarão.

No meu serviço, conheci diferentes tipos de pessoas. Pessoas em que você precisa encontrar agilidade pra ora amar, ora odiar. Nada muito fascista e de caráter trágico, mas sim de um dinamismo pouco difundido por outros cantos da cidade do aço. No geral pude rir como jamais fiz em outro ambiente de trabalho. São pessoas especiais com suas diferenças que atraem e repelem, de forma aleatória, todo aquele que experimentasse o sabor da nova descoberta. Descobri conhecidos. Cultivei amigos. Ganhei irmãos.

Faculdade. Não quero dizer dos conceitos técnicos que assimilei nesse tempo. Isso nem tange o que gostaria de passar neste texto.
Gosto de pessoas. Uma infinidade de pessoas esperando serem conhecidas, serem descobertas por qualquer alma curiosa. Enfim. Poderia ter conhecido mais. Nem sei por que não o fiz, mas não há pra se lamentar. Amigos inesquecíveis pude cativar por lá. Aprendi e vivi junto ao universo socialista e inconseqüente que todo jovem tem direito de desbravar. Produzi documentário, organizei festas, fui feliz em cada momento. Algumas colegas tiveram meus beijos, outras me deram seus beijos sem um motivo sequer. Beijos simples e especiais.

Quero aproveitar o máximo de tudo isso aqui. Antes que meu tempo acabe, quero participar de mais rodas de sinucas, quero rir das bestialidades dos que cantam com seu violão noite a fora e quero mais sucos horríveis de melancia. Quero muito mais...


Eliezer Bernardo quer...

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Interessantes e Excelentes...



Difícil saber que ninguém mais sabe da importância de uma boa gargalhada acompanhada com uma boa companhia. Companhia. O cotidiano nos empurra pra diversos grupos sociais que, na teoria, nos fariam alvos fáceis aos famintos por boa companhia. No fim, todos se entregam à preguiça de não ter que procurar algo mais e aceitam o triste destino de ter mais um momento com medíocres. Assim são formadas e conceituadas as más companhias. São divertidas momentaneamente, mas a frustração vem em passos largos e não espera o melhor momento pra chocar. Logo após, só sobram as lamentações. Perdemos mais um dia com quem não se deveria perder um minuto. Desperdício.

Pessoas interessantes devem procurar pessoas excelentes. Nada de nivelar por baixo. Os riscos são os mesmos. Tudo pode ser maravilhoso. Tudo pode ser trágico. Há de haver mais sabor em marcar pra sempre a vida dos interessantes? E por que não? Não há motivo pra se contentar com pouco. Lastimável seria ver logo a frente que muito poderia ser feito de seu dia nublado. Poderia sim, mas não foi.

Transformações podem bater na sua porta essa manhã. Talvez com um sorriso você a receba. Talvez com lágrimas. Seja da forma que for, que seja intenso esse encontro. Ainda que com lágrimas ou com sorriso aos lábios, se apegue às transformações e siga em frente. O dia de amanhã irradia esperança pra todos os lados. Agarre a sua esperança. Sinta a sua expectativa. Aqueça-se com sua disposição e jamais se amarre com os laços da ilusão.

A manhã já findou, a tarde logo se vai e a noite te espera. A noite me espera. Sozinho ou acompanhado, vestido ou pelado, junto ou afastado, vou viver meu hoje. Vem comigo?


Eliezer Bernardo queria poder te olhar nos olhos, mas agora se perde nos olhos do horizonte.

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quarta-feira, outubro 25, 2006

Sabedoria Popular

A sabedoria popular vem movendo as engrenagens da reflexão e dos momentos de sapiência coletiva. Não é difícil encontrar, viver ou participar de momentos em que um indivíduo, muito esperto e sagaz, contextualizará um antigo provérbio urbano afim de vangloriar-se. A intenção verdadeira era de se promover como uma pessoa culta. Uma pepita de ouro entre simples rochas sedimentares. Não é uma péssima estratégia. Mulheres se impressionarão, crianças o idolatrarão e amigos bêbados brindarão em seu nome. A autopromoção já ganhou guerras no passado, mas em tempos de paz é sempre muito útil.
O melhor a fazer após essa vistosa introdução será uma análise de alguns provérbios urbanos.

Certo dia estava vagando nas entranhas da internet, quando encontrei um amigo no bate-papo com a seguinte mensagem de apresentação:

“Em terra de Sacis, ninguém dá voadora!”

No instante em que se lê tal coisa, a reação inicial é mostrar os dentes. Rir. Tudo bem. Isso é totalmente aceitável, afinal este provérbio é no mínimo original. Mas será que é possível tirar algum aprendizado disso tudo? Fica claro que em terra de macunaímas-de-uma-perna ninguém se atreveria a pespegar um “vôo do dragão” contra qualquer outro ser nas mesmas condições. Ainda que fosse a mais perfeita das voadoras, no fim de tudo o infeliz que aplicou o pulo-do-gato ficaria estendido no chão. Presa fácil pra outro rival ninja-manco. Moral da história: Num momento de dificuldade onde uma boa resposta ou uma ação inteligente seja ideal e necessária, saiba que o melhor é sair em socos e bordoadas! Esqueça as voadoras!!! Afinal quem utiliza desse pensamento não teria argumento pra bolar uma boa resposta ou uma ação inteligente.

Instituições de Ensino Superior podem ser grandes celeiros de provérbios urbanos. Pensa que não? Delicie-se com este exemplo.
O caos estava instalado na sala do 2° ano de Geografia. O apocalipse viria em forma de prova de Geologia. Além de ser super-difícil, a matéria cobrada foi mal trabalhada pelo professor responsável.
No dia da prova houve uma troca de professores. O professor de Geologia não compareceu. Belo momento para interação entre alunos, vulgo cola. Começaram as trocas de informações sorrateiramente sem que o professor percebesse.
Contudo um aluno desproporcional e desajeitado abriu o livro e começou a colar descaradamente sem preocupar-se com o professor, se ele o puniria ou daria sua benção. Mais que depressa o professor em fúria aborda o aluno aos berros falando pra fechar o livro. O aluno responde dizendo pro professor aliviar a barra dele deixando-o colar ao menos dessa vez. E com toda sabedoria o professor lança a seguinte pérola:

“Não vem com essa conversa de colocar só a cabecinha! Pinto não tem ombro”!

Puxa! Foi a coisa mais sábia que ouvi nos últimos tempos. Logo quando me recuperei dos espasmos involuntários dos meus pulmões que as gargalhadas me legaram, percebi que realmente é muito bem bolada essa frase. Seria a versão pornô de: “Se te dou a mão, você quer o braço”...
Na verdade é preciso estar preparado para evitar os abusos que as pessoas de um modo geral possam planejar contra você. Numa visão mais ampla, é preciso estar preparado pra reagir contra falcatruas governamentais, contra os conceitos errados que a sociedade insiste em ensinar e passar em ciclos de pais burros pra filhos estúpidos.
Não é preciso divagar tanto. É preciso apenas listar quais são os seus valores prioritários. Seria a política? Os problemas sociais? Desigualdade Social? Quem se importa!
Corra e vá alertar sua irmã, sua prima e sua filha!


Eliezer Bernardo sabe que em terra de cegos, quem tem um olho é Ciclop...


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terça-feira, outubro 24, 2006

Me Solta!


Prisões ideológicas sufocaram minha voz
Com grades hereditárias e alienação como punhais,
Que sufocaram meus avós
E também feriram a alma de meus pais.

Dos outros, embriago-me em quereres e vontades
Vontades estas que me abstêm de toda e qualquer realidade,
Impulsiona o sonhar pouco, reprime a liberdade
E me remete a um viver de plena e entediante sobriedade.

Mas como posso prosseguir sem voar?
Sem sentir o prazer de poder planar?
Meus olhos abertos não me fizeram enxergar
Que o cotidiano secou minhas lágrimas antes que pudesse chorar.

Meu pensamento homem algum há de engaiolar!
Dou valor às minhas asas nessa vida dura!
Não me importa em que altura,
Quero apenas continuar a voar...


Eliezer Bernardo dont é poeteiro...

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sexta-feira, outubro 13, 2006

Complô Universal


Enfim! Chegou o momento que tanto esperava. Vou poder atualizar meu blog e entreter, com minhas asneiras, os meus 3 fiéis leitores. Clima ameno, céu nublado e silêncio inacreditavelmente profundo. Mãos a obra.
Mas sobre o que escreverei? O cenário é perfeito para que a inspiração me surpreenda com um abraço, mas nada me vem. Nenhuma fagulha de originalidade. Devo abordar um tema já esquecido por muitos e reavivar a chama da importância e valor que tal tema merece. Já sei! Hora de escrever...

“Plutão. Astrofísicos e intelectuais fajutos...”

(O celular começa a tocar.)

Quem poderia ser? Qual infeliz teria a crueldade de quebrar meu raro momento de produção literária?


- Oi Pai! Tudo bem sim. Eu sei que são 14h, mas é que eu acabei de acordar. É que eu tenho uma semana de folga. Vou ter que desligar. Conversamos depois. Beijos e tchau.

Tudo bem. Sempre há tempo pra atender os familiares, quiçá meu pai. Bóra voltar ao texto.

“Plutão. Astrofísicos e intelectuais fajutos não compreendem seu grande valor...”

Eis que, do nada, um elefante branco em forma de música alta me surpreende:

Cria asa piriquita!
Treme, treme atabaca!

Cricricricri asa piriquita...

Mentira! Tudo menos funk! Não acredito nisso. Devo estar em coma num quarto de hospital e tudo isso deve ser um delírio da minha mente. Talvez deva ser uma pegadinha do Faustão. Mas onde estará a câmera? Quero mandar um beijo pra minha mãe, pro meu pai e especialmente pra Pietra, minha amiga...
Eu sei que posso sobreviver a esse funk. Vou me plugar no som em headphone do Jamie Collum e relaxar um pouco enquanto escrevo.

“Plutão. Astrofísicos e intelectuais fajutos não compreendem seu grande valor. Oh,pequenino Plutão. Não quero ser cúmplice deste preconceito com planetas anões. Por isso direi em alto e bom som pra que todos ouçam...”

(Carolini está chamando sua atenção – MSN)

Droga! Me esqueci de sair do MSN. Só me faltava essa. Não consigo atualizar meu blog de jeito nenhum. O que essa mulher quer de mim?

“Livin’ la vida loca” diz:
Ebridio! Eu xou bunita?

“Malandro é o parafuso que já nasceu com cabelo partido ao meio” diz:
Como assim? Você tá bem?

“Livin’ la vida loca” diz:
Ebridioooo! Eu xou bunita?

“Malandro é o parafuso que já nasceu com cabelo partido ao meio” diz:
Beleza é um conceito muito relativo... Todos nós somos belos em algum aspecto...

“Livin’ la vida loca” diz:
Ebridioooo! Eu xou bunita?

“Malandro é o parafuso que já nasceu com cabelo partido ao meio” diz:
É sim. Tá feliz?

“Livin’ la vida loca” diz:
Ebridioooo! Eu naum xou bunita...

“Malandro é o parafuso que já nasceu com cabelo partido ao meio” diz:
Takeopariu...

(desconectando)

Minha paciência se foi no mesmo bonde que minha inspiração. Que raiva! Melhor terminar o que começou tão bem.

“Plutão. Astrofísicos e intelectuais fajutos não compreendem seu grande valor. Oh,pequenino Plutão. Não quero ser cúmplice deste preconceito com planetas anões. Por isso direi em alto e bom som pra que todos ouçam:
-Plutão! Tem vaga pra mim onde você está?”


Eliezer Bernardo precisa exercitar sua paciência.

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quarta-feira, outubro 11, 2006

Depois da curva...


Resolvi transformar uma idéia em algo prático. Resolvi dar de comer a essa vontade que tenho de escrever desordenadamente, apenas pelo prazer de escrever.

Muitas pessoas gastam, tomam seu tempo em reflexões que duram horas, dias, meses e anos, momentos para encontrar respostas para fórmulas, enigmas, dúvidas e mistérios.
Limito-me hoje aos mistérios.

Por esses dias pude perceber que cultivo e mantenho amizades com pessoas que moram distantes de mim. Por incrível que isso me pareça, eu os considero de tal forma que exponho minha vida como se participassem do meu cotidiano.
Porém venho perdendo algumas amizades de pessoas que moram perto ou são parentes. Isso é muito intrigante. Considero amigos como parentes e alguns parentes não são meus amigos. Reconheço que meus amigos de longe estão se achegando a mim cada vez mais, e meus parentes vêm se distanciando proporcionalmente.
Não tenho contato nenhum com minha avó materna hoje em dia. Mesmo assim, tal laço inexistente não tem me feito falta. Primos diversos que são tão distantes. São como estranhos.
Não há nada nesse sentido que eu possa fazer para mudar esse quadro. Não há culpa. Cada um segue seu caminho.
Amizade é algo que eu prezo demais, mas tenho forte tendência a deixá-las escapar por entre meus dedos. Por que será que laços de amizade tendem a fugir da razão que nos leva a acreditar que seriam mais fortes associados aos laços de sangue?! Isso é realmente um Mistério.
Afeto. Relação Homem e Mulher é tão complicada! O Jardim do vizinho me parece ser tão mais verde(...) Me envolvo com pessoas que não deveria ou nem gostaria de me envolver, e deixo de me envolver com quem gostaria mesmo de me envolver. Mas o fato é que em ambas as situações, não consigo manter nada sólido o suficiente pra me fazer bem. Sempre acabo em situações complicadas de serem resolvidas e que acabam ferindo ambos os lados. Não gostaria que isso acontecesse. Ora penso que estou apaixonado por alguém, ora tenho certeza que não. Difícil de compreender. Gostaria de poder simplificar as coisas, mas não posso. Acontece de Terceiros se antipatizarem por mim e enfraquecerem meus relacionamentos, de me envolver mais do que deveria, de me envolver menos do que deveria(isso vem acontecendo com mais freqüência.), seja o que for, não tenho sido favorecido pelos fatores influenciadores de qualquer relação. Por que?! Mistério.

No geral, percebo que tenho Mistérios que movem minha vida de tal forma que posso ter certeza de que nada acontece por acaso. Se foge à minha razão é porque existe um propósito maior. Será que existe pelo menos uma coisa que posso tirar de bom nesta confusão que eu chamo de vida?! Sim. Pelo menos ela não é monótona.


Poucos entenderão (quase ninguém), mas ainda assim fico feliz por confundir alguém com relatos da minha vida.

E tenho dito.

Eliezer Bernardo está de passagem, mas nunca a passeio.

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terça-feira, agosto 29, 2006

On my mind...


Em 1961, Ray Charles foi proibido de tocar no estado americano da Geórgia, definitivamente, pois se recusou a fazer um show segregado, somente para uma platéia composta de pessoas brancas. Ray já havia composto e gravado "Georgia On My Mind", um de seus maiores sucessos, em todo o mundo.

Durante todos os anos que se seguiram, ele percorreu a Europa, Japão, países da América Latina e todo os Estados Unidos, exceto a Geórgia. Somente em 1979, Ray Charles pôde voltar a tocar lá e sua canção foi declarada música oficial do estado.


Ray Charles - Georgia On My Mind

Georgia, Georgia, the whole day through
Just an old sweet song
Keeps Georgia on my mind
I say Georgia, Georgia
A song love you
Comes as sweet and clear as moonlight through the pines
Other arms reach out to me
Other eyes smile tenderly
Still in peaceful dreams I see
The road leads back to you
I say Georgia, oh Georgia, no peace I find
Just an old sweet song
Keeps Georgia on my mind

Muitas vezes, problemas mil surgem pra minar algo de bom que você tenha constituído ou buscado. E quase sempre não há nada que possa ser feito. Um sonho bom, um namoro, uma amizade, um momento marcante de sua vida pode ter sido afligido por situações que fugiram de seu controle. Realmente não houve nada que você pudesse fazer.

Melhor esquecer. Será?

Melhor seria se você lembrasse desses momentos com saudosismo ao invés de apagá-los de sua memória. Homem algum poderá destruir o que seu coração solidificou em lembranças ternas. Boas lembranças.

O que seria sua Geórgia? Seria ela um momento de sublime felicidade? Um lugar comum pra muita gente pode se tornar o cenário perfeito pra o momento mais especial de toda a sua vida. Pode ser esse o lugar que, ao passar, te levará a uma viagem nostálgica que pode te levar às lágrimas. Lágrimas neutras e puras de uma saudade tão bonita. Por mais que algo tenha transformado aquela realidade numa simples lembrança, aquele lugar, aquela praça, sempre será sua Geórgia.

Quem seria sua Geórgia? Seria um grande amigo que o tempo distanciou? A amizade sincera pode gravar-te marcas profundas por toda vida. Marcas que nem a morte poderá apagar. Estará contigo. Sua Geórgia.
Seria ela um namoro? Quem sabe. A primeira impressão que muitos possam ter de você, pode futuramente se tornar um reconhecimento, provando que você faz parte do grupo de pessoas que pra muitos é inexplicavelmente interessante. Pessoa rara. Mas seu trunfo talvez não tenha chegado a tempo.
A felicidade de duas pessoas não poderia estar ligada aos conceitos de terceiros, mas quase sempre está. E é isso que geralmente se torna determinante para que as portas de sua Geórgia se fechem para sempre. Mas apesar de tudo, ela sempre será sua Geórgia. Passe o tempo que for. Ela sempre será sua Geórgia.

É preciso que haja esperança de um futuro melhor, de situações melhores, de novos momentos especiais que possam alcançar a mesma plenitude de felicidade que você almejava ter.
Mas não se iluda!As novas lembranças jamais apagarão os sonhos pacíficos em que verás a estrada que te levará de volta pra Geórgia de sua mente.


Eliezer Bernardo tem sua Geórgia.

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Partir desta...

Eu sei. Você era um homem bom. Verdade que você não tinha muitos amigos, mas os poucos já valiam seu peso em ouro. Acabou. Você não imaginava que fosse tão cedo. Eu sei. A morte chega pra todos.

Você queria ter dito muita coisa antes de partir. Não faltaram oportunidades. Faltaram momentos de grande coragem e personalidade pra que sua verdadeira personalidade saísse da sombra. Você não foi obrigado a amar a todos, a ser cúmplice de artimanhas perversas e nem ser tão omisso. Você teve oportunidade de fazer suas escolhas. Suas escolhas estruturam a base das lembranças que as pessoas têm de você agora. Que merda, hein?
Você queria poder mudar muita coisa. Você queria ter outra oportunidade pra dizer tudo o que outrora você não teve coragem pra dizer. Você gostaria de fazer tudo o que as paredes de sua hipocrisia te limitaram a fazer.
Você queria ouvir as palavras que sua insensibilidade o privou de apreciar. É duro ter que encarar essa realidade. Agora tudo acabou. Será?


E se você pudesse alterar 3 momentos marcantes de sua vida? É tudo o que você gostaria. Pois eis a sua oportunidade. Não são todos os defuntos arrependidos que tem essa oportunidade. Bóra então arrumar essa bagaça de vida que você teve. Mas lembre-se, são 3 momentos apenas.

(Momento 1)

Sim. Eu já imaginava. Você ainda se lembra da sua professora Maricléia, de Matemática. Sim. Aquela que sempre zombava de suas dificuldades com os números. Jararaca! Mas o que você pretende? Você só tem 13 anos. Droga! Ela está te olhando. Ela está te encarando com aquele olhar de Coyote. Ferrou! Ela vai falar com você:

- Damasceno (Voz esganiçada e irritante)! Espero que você tenha feito os trinta e cinco exercícios que passei ontem. Traz aqui na minha mesa agora o seu caderno.

(Você se levanta completamente mudo. Mas porque não disse nada? É a sua oportunidade.)

-Está aqui professora. Eu fiz uns doze, mas não sei se está certo...
-Sem olhar eu tenho certeza que está errado.

(Silêncio)

- Eu sabia. Você só pode estar brincando comigo. Está tudo errado. Você está pensando o quê da vida? Você não tem jeito! (Interrompa-a! É a sua oportunidade) Desse jeito você sai da 7ª série direto pra fila do INSS...
-Chegaaaaaaaa! Eu não agüento mais. Sua infeliz! Pega este caderno, o seu diário com minhas notas, o apagador, a caixa de giz e essa menina horrorosa que puxa seu saco e enfia no olho do seu...(censurado)

Que satisfação! Pude perceber que você está até mais leve. Talvez o fato de estar morto possa influenciar, mas esse desabafo teve seu mérito.

(Momento 2)

Seus sogros? Está beirando o exagero. Pode parar. Neste momento você tem 34 anos. É hora de colocar o rancor de lado. O que você vai dizer a eles? Tudo bem que eles nunca foram amistosos com você, afinal, você esteticamente não condizia ao sonho que eles almejavam para adorada filha deles. Quer saber do que mais? Faça o que quiser.
Eles estão saindo do carro:


- Olá Família! Tudo bem com vocês?
- Ah que susto Damasceno! Você quase matou a mim e à Mirtes de susto.
- Acreditem. Não era minha intenção. (com muita ironia)
- Antônio! Veja o que ele quer e vamos entrando.(sussurrando)
- O que você quer Damasceno?
- Eu hoje acordei com uma vontade imensa de dizer o quanto vocês são especiais para mim.
- Antônio! Eu acho que ele está bêbado...
- Não, Dona Mirtes, eu não estou bêbado. Pelo contrário, nunca estive tão lúcido.
- Então fale logo, pois eu e a Mirtes estamos exaustos.
- Eu gostaria de ter o imenso prazer de dedicar-lhes palavras com toda ironia que me é peculiar e que emanam do fundo do meu coração. Fico até emocionado com esse momento ímpar. Eu gostaria de dizer o quanto eu aprecio a forma preconceituosa e soberba com que vocês levam a vida. Admiro a coragem que você, Seu Antônio, tem de estar casado meio século com essa mulher que é o rascunho-do-mapa-do-inferno. Sua coragem me encoraja a dizer estas palavras tão sinceras. Meu deboche pára aqui, pois não poderia esquecer de agradecer o grande presente que vocês me concederam. Cláudia, sua filha, minha esposa. A mais linda e incrível mulher que conheci. É isso. Obrigado pela atenção e boa noite.
-Antônio... Eu acho que ele está bêbado!

S
em comentários. Não houve lógica. Mas quem precisa de lógica pra xingar os outros?

(Momento 3)

Seu filho? Eu já esperava isso. Ele já está deitado em sua cama. Tem certeza que vai acordá-lo? Ele tem apenas 8 anos. Tudo Bem. Lá está ele:

- Filho.
- Mamãe! Eu não quero ir pra escola...
- Filho. Sou eu. Papai.
- Pai?
- Sim, sou eu.
- O que foi? Fiz algo de errado?
- Não filho. Não que eu saiba. Mas feche seus olhos e ouça seu velho pai. A vida não lhe trará muitas oportunidades de corrigir um erro. É preciso que você tenha atenção. Viver não é e não será fácil, mas é preciso coragem. Viva intensamente. Seja você. Busque seu espaço. Marque seu nome na história sendo simplesmente você. Não é preciso fama pra ser lembrado com amor. Seu brilho pode ser como das estrelas. Sonhe, sonhe muito. E Durma, durma bem.

Os bons momentos sempre ultrapassarão a razão de tempo-espaço.



Eliezer Bernardo é surreal


Postado em Preto e Preta ás 9:51 AM 3 comentários

quinta-feira, agosto 24, 2006

Sábio Popeye que come espinafre...


Não se trata de manter a boa saúde. Não. Não se trata de melhorar sua disposição pro trabalho. Não. Trata-se de uma forma de ficar forte pras menininhas. Um caminhão de músculos testosteronados. Este objetivo parece ser excelente, mas o caminho até ele é árduo.

Como se não bastassem seus 15 minutos de caminhada em sol à pino, ao chegar à fábrica de Sexy Simbol’s, totalmente desgastado e desidratado pelo sol, você é obrigado a dar uma leve pedalada na bicicleta ergométrica por míseros 10 minutos para alcançar um pleno aquecimento. Tudo bem. Sua concepção de aquecimento não tem ligação com os seus longos minutos de caminhada no sol de meio-dia. Na-na-ni-na-não. Não vale se não for na bicicletinha...
Ufa! A maratona de ciclismo fora de época acabou. Foram os 10 minutos menos prazerosos de sua vida? Santa ilusão.

Dando uma olhada mais detalhada e já desanimada no seu programa, você percebe que chegou a hora de malhar seu peitoral. A intenção é eliminar de vez a alusão que seu peitoral faz aos peitos da Dercy Gonçalves. Em ritmo frenético, dentro de uns três anos, seu peitoral estará mais parecido com de um pombo. Daqueles pombos imensos de praça.
Voltando ao presente momento, você olha para aquela máquina de tortura chinesa, cheia de cabos, e confere o peso a ser levantado. Pimba! Tudo pronto. Senta-se. Ajusta-se. E forçaaaaaa! Você está indo bem. Essa dor que você sente em seu ombro não é nada. É apenas um pequeno preço a ser pago pela fascinação que seu futuro-peitoral causará nas mulheres. Logo ao acabar a primeira série, exausto e dolorido, você lembra que ela não é a única série. Faltam duas séries de 12 repetições. Não pense em tomar analgésico. Você é alérgico, lembra?!

Abdominal. Essa picada de marimbondo que você chama de barriga, na verdade se trata de um abdômen coberto por uma capa imensa de gordura. As mulheres adoram um abdômen modelo tanquinho. Mas você tem é um colchão d’água ao invés do sonhado tanquinho. Portanto, que comecem as abdominais. Muito bem. Três, quatro, cinco, não pense na contagem, sete, deixe fluir, nove, droga! Faltam vinte ainda, onze, doze, treze, Não olhe para o túnel branco...

Não foi dessa vez que você morreu.

Bem. Você já pedalou como o Paul Tergat sobre rodas, já deu uma moralizada no peitoral e já viu a Avó pela greta do Paraíso fazendo abdominal.

Bíceps. Mas que lenha é essa? Ah sim. Bíceps é aquilo que quando criança você chamava de muque. Agora se parece mais com um caroço de manga-nanica. É hora de avolumar essa espinha que você chama de bíceps. O que será necessário? Pesos (Você já sabia. Só não queria ouvir). Tá vendo esses pesos imensos, de cor verde? Não são esses. Seus braços cairiam mortos no chão. Mais pra esquerda. Pegue estes amarelinhos. São pequenos, mas pesam né? Pois é. Começando. Um, dois, três, quatro, que veia imensa que apareceu no seu braço direito, sete, oito, parece uma sucuri, dez, não olhe pra direita! Tem uma mulher levantando o peso verde que é mais pesado que o seu...

E chegou o fim. Somente suas orelhas, a perna-do-saci e buraco da maldade estão livres da dor. Mas tirando os citados, tudo dói. Tudo. O ato de respirar nunca foi tão difícil.
Após o banho gélido, você sai dolorido pela rua. Porém tudo ficou diferente. Você agora é um rato de academia.

Eliezer Bernardo é escritor, narrador e muso-inspirador desta fábula...

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Open House

Está aberta a temporada de caça aos padrões e às Ilusões. Chega! Pra que ficar se baseando em uma comunidade de pessoas iguais, que se restringem a fazer as mesmas coisas? Chega! Onde foi parar a originalidade?

“Beba Coca-Cola! Entre você também nessa Vibe!”

Me recuso a beber essa bagaça! Tudo bem que estou malhando pra ficar o mais marombado possível, mas não é isso que me prende. Não bebo esse líquido-saboroso-estadunisense, por que o mesmo além de me proporcionar uma cintura de ovo, me obriga a agregar valores coletivos que eu e a maioria da população não temos idéia do que seja. Alguém no Brasil tem noção do que uma Vibe ( É de comer)? Além de consumir esse combustível dos imperialistas eu terei que ser manipulado assim na cara-dura?!
Uma andorinha não faz verão (...) Mas uma andorinha sem-noção faz estragos...rs

Mais uma vez os padrões estão deglutindo as cadeias da originalidade... (Puxa! Quanta poesia...rs)

(...)

“Tudo bem Querido! Se não podemos ficar juntos, que sejamos amigos...”

Mentira! Ilusão! Potoca! Nenhuma mulher reage desta forma. Na verdade ela quer dizer muitas coisas com isso. Você não consegue perceber a real informação que as filhas de nossos pais proferem?! Prepare-se! Pois o caleidoscópio acaba de ser ligado aos seus olhos e uma realidade diferente se apresentará...rs

(Plugin Caleidoscópio full install)

“Tudo Bem Seu Biltre! Se não podemos ficar juntos, com outra você também não ficará! Nem que eu tenha que gastar todos os segundos dos meus dias para torná-lo cada vez mais dependente da minha misericórdia, pena e amor doentio que dedicar-lhe-ei eternamente. Não gostou? Nem eu! Mas foi você que se fu....”
A realidade é dura...

Eu quero tentar implantar em mim um estilo Calypsiano de ser, ou seja, sem me preocupar com padrões, com a sociedade em sua maioria. Viva os topetes descoloridos! Viva as roupas nada-a-ver! Viva as vozes esganiçadas e desafinadas! Um Viva pros Fei.... quer dizer, padrão realmente é um saco, mas beleza é essencial...rs

Eliezer Bernardo é vocalista de uma banda de milhões que milhões desconhecem, mas está em fase de reconstrução de si mesmo. Isso foi um pequeno desvario de uma personalidade instável e difícil de ser domada. Mas amanhã fará sol...


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quarta-feira, agosto 23, 2006

Poeta Idiota


Já dizia o poeta: "Ai que saudades eu tenho da aurora da minha vida, da minha infância querida que os anos não trazem mais..."
Que poeta estúpido. Saudades da minha infância? Não há nada de mais terrível do que a infância de um homem. Homens normais, claro. Os populares da escola que hoje são falidos sociais.

Melhor destrinchar o assunto...

A vida é feita de escolhas. Escolhas que, em sua maioria, você não tem oportunidade e tempo hábil de escolher. Como aluno, você tem quatro opções de perfil pra se integrar. Os perfis de alunos são: os CDF’s ou Nerd’s, os alunos Gasparzinhos (aqueles que ninguém nota), os alunos Populares e os alunos do Fundão (galera da eterna bagunça e que sempre é culpada por todos os crimes estudantis). Apesar de odiar os Populares, na verdade, você queria ser Popular. Não deu. Sobrou a vaga de mutante ou fusão de “Gasparzinho com Galera do Fundão”. Simbóra viver assim então...

A 5ª série é um momento dificílimo. Uma criança de 11 anos é jogada em uma realidade totalmente estranha e hostil. Você tem que lidar com marmanjos que repetiram a 6ª série por 19 vezes. Os mesmos querem filar seu lanche, lhe jogar na lixeira, lhe dar cuecão (isso é brutal), saquear sua roupa e lhe deixar pelado após a aula de educação física. Isso é inaceitável. Quando o pirralho é um CDF por convicção, nada mais justo do que cuspir no suco de laranja dele e jogá-lo na lixeira. Mas o problema maior é que você era do fundão! O que havia de errado contigo? O alto-escalão da sua classe não lhe reconhecia como parte do grupo? Por quê? É só olhar no espelho. Você foi traído por si mesmo. Sua aparência dizia o contrário. Você era gordo como um lutador de sumô, tinha aparelho nos dentes, óculos e cabelo minuciosamente raspado. Droga. Que lenha? Traído por sua própria carcaça. Você era a personificação da feiúra somado à estética nerdiana. Tudo isso em uma só pessoa. Puxa! Como você era afortunado. Só lhe faltava ter peitos. Sim, você tinha peitos...

Beijo na boca. Êita missão difícil. Difícil pra todos os meninos de 11 anos do seu tempo (parece que tem séculos isso). Difícil até para os Populares. No seu grupo, sem dúvida, a grande maioria nunca tinha dado nada mais que um beijo de estalinho. Nem grande parte dos Populares. Mas as histórias de pescador apareciam a todo o momento. Isso estimulava em todos o desejo de passar pro time de beijoqueiros bem sucedidos. Beijo de língua era uma lenda. Nem vale a pena citar. Então pra todos havia uma grande dificuldade. Pra você então era mais que difícil. Diria que tal acontecimento poderia beatificar-te por realizar milagres.

Não havia ética e bons modos na relação menino e menina. Não havia o fora-delicado que as mulheres dão hoje em dia: “Não vai dar pra ir contigo no cinema, pois meu pai operou de fimose e eu terei que trocar as ataduras” . Não tinha esse privilégio. O lance era bem direto. Era possível sentir a sede de humilhação que aquelas varetas-de-soutien exalavam no ar. Mas ser humilhado era um mal necessário. A chance de a garota possuir um gosto exótico por meninos poderia te privilegiar. Não custa tentar. Era preciso jogar toda a lábia e maleficência no jogo das palavras pra envolver a garota-alvo:

- Oi Jossana!
- O que você quer?
- É que... eu...
- Eu te conheço? (cara de desprezo)
- É que... eu... (trêmulo)
- Sai daqui. Você é muito feio. Nerd! Hahahahaha

(Sai você cabisbaixo, mas com uma esperança no olhar).

Você volta ao grupo de amigos e presta o relatório:
-Ela estava muito confiante, minha sedução a estava envolvendo , mas na próxima vez eu consigo...

Sei que você ainda odeia o poeta do início...

Pêlos pubianos. Pentelhos. Cabelo no sovaco. Que lástima. Ninguém te informou que pra ser um garoto aceito na sociedade pueril, você teria que ter pêlos por todo o corpo desde os 8 anos de idade. Não pôde nem passar shampoo de cavalo no sovaco, não teve tempo. A descoberta foi uma grande surpresa. Você não tinha nem um mísero fiapo de esperança nas axilas. Axilas soou meio tchola. Voltemos ao sovaco, mas com uma alteração. A letra b na segunda sílaba. Subaco. Pois então, você não tinha nem um mísero fiapo de esperança no subaco.
Além de ter receio de andar pelado na frente de seus amigos, com medo de todos acharem seu lápis pequeno, você tem que andar tapando o subaco? É muita pressão.
Droga. Você tem que estimular o crescimento. Dizem que raspar com prestobarba ajuda. Mas raspar o quê?

Mas o bom é colher os frutos da justiça após o passar dos tempos. Poeta sábio é o poeta que disse que o mundo dá voltas. Realmente.
Depois de tanto tempo você emagrece, tira os óculos, o aparelho (mas os dentes ainda estão tortos...), além de crescer além da conta.

E os Populares? Eles se tornam parte da escória da sociedade. Tornam-se as típicas pessoas chatas que você evita encontrar. Alguns ainda são bonitos e namoram lindas mulheres. São eles mesmos.

E as Meninas Cobiçadas daquela época? Ou engravidaram precocemente, ou se tornaram aquelas mulheres horríveis e pra piorar, sem conteúdo.

E os CDF’s? Alguns se tornaram bem sucedidos profissionalmente. Os demais se tornaram esses caras babões ou serial killers. Se você mexeu com um deles, é melhor andar de ônibus blindado.

E os Gasparzinhos?! Não tenho idéia. Quem são esses?

E a Galera do Fundão?! Em sua maioria, movimentam a economia mundial representando a população economicamente ativa. São os mesmos que pegam as mulheres dos Populares. São também as pessoas responsáveis pelo seu riso de ontem, pela sua paixão de hoje e pela sua saudade de amanhã.

(Vê se pode? Saudades da infância...)

Eliezer Bernardo também odeia o poeta Casimiro de Abreu.

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terça-feira, agosto 22, 2006

Calmaria



Felicidade. Penso hoje que seja o bem mais sensível que buscamos conquistar e manter a cada dia. Acordamos querendo ser sempre mais felizes, e dormimos sempre achando que poderíamos ter sido mais felizes. A insatisfação é um mal permanente e evidente do ser humano. O que não provoca minha morte me torna mais forte, portanto, nessa busca desenfreada por felicidade, vale quase tudo. Quase tudo.

Coisas simples têm me despertado ou me feito canalizar atenção de tal forma que passei a superestimar detalhes, evidenciar os mesmos nas pessoas que me cercam. Tudo isso não passa de uma visão diferente e pessoal das coisas.

Antes eu me considerava uma “metralhadora cheia de mágoas”, como já foi descrito pelo Cazuza, ou seja, eu não passava de uma pessoa cheia de orgulho. Orgulho que ainda tenho, mas não passa de uma defesa, uma defesa a uma deficiência de auto-estima. Mudei um pouco nesse aspecto. Acredito hoje que analisar detalhes pode nos abster de aborrecimentos que análises amplas nos proporcionariam. Claro que pra toda regra, existe uma exceção.

Creio que estou priorizando a busca de minha felicidade, do meu bem-estar.

Eu luto pra que nessa estadia transitória, eu possa ser resumido em uma palavra. Felicidade. Mesmo que não seja constante, mas que seja intensa sempre em seus momentos. Quero ser muito mais feliz do que fui ontem.

Certa vez um amigo me disse que devemos sonhar, almejar, alçar sonhos altos. Grandes. Realmente é isto que quero pra mim. Na Bíblia está escrito que se buscarmos primeiro o Reino de Deus, todas as demais coisas nos serão acrescentadas. Serão acrescentadas lutas, tristezas, mas também alegrias, felicidade em si. Então, tendo felicidade, o que vier a mais será lucro. Prejuízo, jamais.

Pois então, continuarei rindo, sonhando, rindo novamente, sonhando novamente; mais que ontem, e menos que amanhã.

Eliezer Bernardo está tentando abrir as portas da mente sem o uso de psicotrópicos.

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Osso duro de roer


Mais uma vez, volto à terapia. Senti vontade de escrever. Só que resolvi escrever sobre um tema específico: Mulher.

No livro de Gênesis está escrito que Deus pôs Adão em sono profundo, retirou uma de suas costelas e dela fez Eva. Que surpreendente! Eu jamais faria melhor. Na Bíblia também está escrito que a sabedoria de Deus é loucura para os homens. Realmente. Foge completamente à minha compreensão o por quê de uma costela. Nada no corpo de um homem é mais inóspito e estranho do que uma costela (acredito eu, mas com a poluição de hoje em dia...). Não me cabe discutir tal escolha. Poderia ter sido formada de um "rim", que ainda assim não perderia em nada a gloriosidade da criação. Deus sabe de tudo. Quem não sabe de nada sou eu. Definitivamente.

Se friamente for analisado o comportamento feminino, concluir-se-á que nada é mais sensível e tênue do que o próprio comportamento feminino. Em certos momentos dóceis, afagáveis, transcendentais de tão afetuosas. Momentos em que despertam em nós, homens, uma vontade de tê-las por perto por toda a vida, e de sempre agradá-las. Contudo, em certos momentos, nos vêm aos olhos como uma tempestade em alto mar, com suas nuvens escuras e enormes em presença, distribuindo o medo como trovões e relâmpagos. Nenhum comparativo alcançaria a dimensão real de um momento de insanidade e fúria de uma mulher. Tais momentos caracterizados por atos e palavras de legítima agressividade gratuita e paradoxidade (tive que adverbializar esse substantivo, pois nenhum outro termo chegaria tão próximo da realidade), remetem à nós, homens, meros mortais, um desejo incontrolável e de certa forma compreensível de fugir, de manter seguros 15 km de distância da “costela” que estiver exaurindo seus problemas e incógnitas no ar, justificando inclusive a culpa de que se nós, homens, não repararmos que elas cortaram 1 mísero dedo de seus cabelos, é porque não passamos de seres insensíveis, seres ignorantes. Nem se vivesse todos os dias de Matusalém, eu conseguiria entender este comportamento.

Ainda com todos esses paradoxos, todos sem nem uma dose de hipérbole, não há um homem que não resista a uma mulher de boas palavras, de andar marcante, com um belo sorriso, também às que são apenas gostosas (me desculpem, mas acontece...). Realmente não há quem resista.

Como já foi comprovado de acordo com o meu histórico afetivo, eu tenho o “dom” de me envolver com o naipe de mulheres mais complicadas, indecisas e incompreensíveis de toda a Face da Terra. Quem me conhece, não duvida disso. Eu vivo a clamar pra que Deus seja solidário à minha labuta afetiva e me envie uma mulher simples, anencéfala e linda. Creio que em certos momentos de minha vida, eu já encontrei oportunidade de me envolver com alguém que possuía significantes 75% dos adjetivos descritos acima. Porém, me envolvi menos do que esperava. Concluí que estou como um usuário de entorpecente que quer abandonar o vício, mas continua a buscar o mesmo muito mais do que buscava no início. Loucura?! Penso que somos todos loucos, então. Homens e Mulheres.

Creio que, no conceito de perfeição feminina que tenho hoje, jamais encontrarei ou me sentirei satisfeito no futuro. De antemão já me conformo. Fazer o quê?! Não possuir algumas das coisas que desejamos é parte indispensável da felicidade.

Eliezer Bernardo é um dependente das mulheres, mas está sob tratamento. Será?!

Postado em Preto e Preta ás 4:45 PM 3 comentários